O que é Selic: guia completo sobre a taxa básica de juros do Brasil

Papo IOUU

leitura de 12 min

Onde investir

Onde investir Em pleno momento tecnológico e cheio de oportunidades que vivemos no meio digital, qua...

leitura de 9 min

Muitas pessoas, certamente, já ouviram falar da Selic, seja por meio de noticiários, sites ou revistas especializadas da área financeira. Mas você realmente sabe o que é Selic e como ela impacta diariamente em nossas vidas?

Preparamos esse guia completo com todo o histórico da taxa básica de juros da economia, desde a sua importância, histórico e como ela afeta a vida de milhões de brasileiros diariamente.

Além disso, falaremos sobre sua importância nos investimentos e, principalmente, como conseguir “ganhar” mais que a taxa na aplicação do seu capital.

Separe um tempo para aprender mais sobre o assunto e aproveite bem a leitura!

O que é Selic na prática?

A Selic é a taxa básica de juros do Brasil, usada como parâmetro nas operações de empréstimos entre os bancos.

Na prática, um banco empresta dinheiro para outra instituição bancária por um dia, oferecendo títulos públicos como lastro, com o objetivo de reduzir o risco e a remuneração nesse processo.

Essa característica da Selic, de prazo curtíssimo e operações lastreadas por papéis do governo que, de forma geral, possuem extrema segurança, tornaram a taxa um parâmetro para as demais taxas de toda a economia brasileira.

Como funciona a Selic?

Para entender como a Selic funciona, precisamos de um pouco de contexto.

O governo federal precisa de dinheiro para realizar investimentos em diversas áreas, bem como arcar com as dívidas da gestão. Esse dinheiro vem, basicamente, de duas fontes: impostos e títulos públicos – estes emitidos pela secretaria do tesouro.

Arrecadação de dinheiro através de impostos

No primeiro caso, estamos bem familiarizados com o termo. Os impostos são, em sua definição formal, “tributos cuja obrigação tem por fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica, relativa ao contribuinte”. São valores a serem pagos, diretamente, em determinadas situações de compra/venda de produtos, fornecimento de serviços, operações financeiras, etc.

São exemplos de impostos amplamente conhecidos no país:

  • Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA);
  • Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU);
  • Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR – pessoa física e jurídica);
  • Imposto sobre as Prestações de serviços de transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação (ICMS);
  • Imposto sobre Operações de Crédito (IOF).

Arrecadação de dinheiro através dos títulos públicos

Já no caso dos títulos públicos, temos a seguinte situação: o governo emite papéis que, em sua maioria, são comprados pelos bancos. Essa compra permite ao governo arrecadar dinheiro para construir estradas, hospitais, escolas e realizar investimento em saneamento básico, na educação, além do pagamento de dívidas, entre outras inúmeras situações.

Nesse ponto você deve estar se perguntando: “Por qual motivo os bancos compram os títulos públicos emitidos pelo governo?”. E nós respondemos logo abaixo:

Por lei, todo banco é obrigado a depositar uma parte dos seus ganhos diários em uma conta do governo, mais especificamente no Banco Central. Isso possibilita controlar um possível excesso de dinheiro no mercado e, com isso, evitar que a inflação fuja de controle.

Com isso, os bancos se deparam com uma situação recorrente: valores menores do que deveriam constar na conta do Bacen.

Nesse momento, os bancos recorrem aos empréstimos rápidos – para ajustar o déficit – e, como garantia, usam os títulos públicos adquiridos.

O que é Selic over e Selic meta?

Depois de toda essa contextualização sobre o governo precisar de capital para investir e pagar contas, além dos bancos que precisam se adequar a lei financeira e, para isso, realizam empréstimos rápidos com outros bancos, conseguimos definir a taxa Selic over:

A taxa Selic over é a média ponderada dos juros pagos pelos bancos nas operações de depósitos, onde títulos públicos são usados como garantia.

Já a outra variação da Selic é conhecida como taxa Selic meta e sua definição ocorre pelo Comitê de Política Monetária (Copom), que define o objetivo (meta) das taxas de juros no Brasil a cada 45 dias. É importante enfatizar que o comitê define o que será usado como base e não o valor da taxa em si.

Apesar de existir uma variação diária da taxa Selic meta, seus valores ficam sempre próximos do definido pelo Copom, considerando cada período de 45 dias. Essa definição é importante para a economia do país, pois vai servir de base às demais taxas de juros do mercado.

A taxa Selic e a economia brasileira

Falamos anteriormente sobre a importância da Selic na economia brasileira e, agora, vamos destacar as principais consequências de sua variação, seja no aumento ou redução de seu valor.

A influência da Selic na inflação

Esse é um assunto complexo, pois envolve diversas variáveis e o comportamento do mercado.

Uma taxa selic alta significa aumento nos preços em médio e longo prazo e, por consequência, promove a desaceleração no consumo por, basicamente, dois motivos:

  1. Os consumidores pagam mais para comprar produtos e/ou serviços;
  2. Os consumidores evitam gastar e ficam mais propensos a aplicar seu dinheiro em investimentos de renda fixa. Assim, acabam gerando uma rentabilidade melhor, já que são atrelados diretamente à Selic.

Com o mercado desaquecido, as empresas acabam optando por reduzir seus preços e isso, de forma rápida, acaba reduzindo a inflação do país.

Do outro lado, a redução da Selic ajuda no aquecimento da economia, geração de empregos e investimentos em diversas áreas, já que o mercado acaba se movimentando além do normal. Porém, em médio e longo prazo, as empresas acabam reajustando seus preços – para lucrarem mais e recuperar as “perdas” -, o que ocasiona no aumento da inflação e, novamente, a alta dos preços.

Em resumo:

  • Taxa Selic alta: desaceleração da economia e queda da inflação em médio e longo prazo;
  • Taxa Selic baixa: aceleração da economia e aumento da inflação em médio e longo prazo.

Apesar de parecer confuso, esse comportamento é completamente normal e a adequação da Selic é utilizada como arma do governo para promover o crescimento da economia e manter a inflação sob controle.

A influência da Selic nos investimentos do país

Com a variação da Selic temos um aquecimento ou esfriamento do consumo no país. Isso resulta em empresas contratando ou realizando demissões para adequar seu caixa e honrar com seus compromissos.

No caso de esfriamento do consumo, além da alta nos preços e no fechamento de postos de trabalho, também temos uma arrecadação menor de impostos por parte do governo que, por sua vez, fica com um caixa mais apertado e limitado para fazer investimentos básicos no país.

Cadastre-se e seja um investidor da IOUU


Portanto, a constante luta da equipe econômica consiste em controlar a Selic e seus efeitos colaterais, já que esses são sentidos diretamente pela população brasileira. Além dessa questão dos investimentos, a variação da taxa Selic influencia um grupo de pessoas em particular: os investidores.

A relação da taxa Selic com investidores (e seus investimentos)

Como principal taxa da economia brasileira, é claro que a Selic não poderia deixar de afetar outras áreas financeiras. No caso dos investimentos, temos um comportamento claro da rentabilidade com a variação da taxa.

Abaixo, segue os principais investimentos afetados pela taxa Selic:

1. Poupança

O rendimento da caderneta de poupança está atrelado à taxa básica de juros da economia. Com isso, basicamente, dois comportamentos podem ocorrer:

  • Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança possui rendimento de 0,50% ao mês + TR (taxa referencial);
  • Com a Selic abaixo de 8,5% ao ano, a poupança paga 70% da taxa vigente no período.

2. Tesouro Selic

Com o rendimento do Tesouro Selic indexado diretamente com a taxa, qualquer variação fará o retorno acompanhar seus valores, ou seja, com a Selic subindo, os rendimentos no Tesouro Selic ficam mais interessantes, enquanto a redução da Selic proporciona menor retorno para os investidores.

3. CDBs, LCIs e LCAs

Outras modalidades de renda fixa são afetados, de diferentes formas, pela variação da taxa Selic. Nesse caso, a influência em cima dos CDBs, LCIs e LCAs dependem da modalidade dos mesmos.

Investimentos Pós-fixados

Nessa modalidade, a remuneração é paga conforme o dinheiro fica aplicado.

Apesar de ser, normalmente, atrelado ao CDI – que possui valores bem próximos da Selic -, os investimentos pós-fixados vão acompanhar as altas ou quedas da taxa. A característica dessa situação é que os valores já pagos previamente não sofrem alteração, ou seja, a rentabilidade é afetada a partir do momento da queda e nunca retroativamente.

Exemplo: uma aplicação inicia em janeiro de 2019 e no mês de março a Selic sofre uma grande queda. A rentabilidade ocorrida em janeiro e fevereiro ficam com os valores originais, considerando a taxa antes da mudança, e o novo valor da Selic só irá afetar a rentabilidade a partir do mês da alteração, nesse caso, março.

Investimentos Pré Fixados

Para a modalidade prefixada temos uma remuneração fixa, onde os valores pagos não mudam conforme a Selic sofre variação.

Apesar de ser interessante não acompanhar as prováveis mudanças na taxa básica de juros, é importante ficar atento para que a remuneração oferecida não seja abaixo de seu potencial, já que os bancos oferecem taxas de acordo com o que está projetado para o futuro.

Em resumo: se há uma aposta de queda da Selic em alguns meses, a tendência é que os investimentos prefixados paguem menos. Assim, o risco de prejuízo financeiro – por parte dos bancos –  é reduzido.

Portanto, é bom acompanhar a economia para entender a situação futura e otimizar a rentabilidade no investimento.

Investimentos Atrelados a Índices

Por último, temos a modalidade de investimentos atrelados a índices de inflação, como o IPCA, por exemplo. Nesse caso, a rentabilidade do investimento é um valor fixo somado à variação do índice (no caso, o IPCA) do período medido.

Apesar da Selic não afetar diretamente os investimentos atrelados a índices, sua variação influencia diretamente na inflação – como falamos anteriormente – e, em caso de intervenção do governo para controlar a mesma, teremos uma variação nos ganhos desse tipo de investimento.

Histórico da Taxa Selic ao longo dos anos

Para investir com eficiência em renda fixa é preciso conhecer o comportamento da economia e, principalmente, entender as variações da Selic ao longo dos anos. Para isso, basta visitar a página com o histórico da taxa básica de juros no site do Banco Central.

Mais do que buscar a melhor rentabilidade, é preciso entender qual o melhor momento para investir em renda fixa e, com isso, fazer a melhor escolha de médio e longo prazo.

Outro ponto interessante é acompanhar as notícias da época com base nos valores da Selic do período vigente. Caso seja difícil interpretar e tirar conclusões, as notícias históricas da economia podem ajudar nessa tarefa.

Como ganhar mais que a taxa Selic

Agora que já explicamos o que é taxa Selic e a sua importância na economia, vamos abordar como conseguir rentabilidades maiores que ela.

Alta rentabilidade em renda fixa

Quando falamos em renda fixa, temos algumas opções bem interessantes para aplicar nosso dinheiro e conquistar rentabilidades superiores. O CDB, LCI, LCA, por exemplo, costumam render acima da Selic quando não são negociados diretamente com o governo. Isso acontece pelas corretoras precisarem fazer ofertas mais interessantes na hora de atrair seu público.

Outro caso bem interessante são os investimentos peer-to-peer, onde existem rentabilidades de mais de 400% do CDI – que é atrelado à Selic. O investimento coletivo tem ganhado força no Brasil nos últimos anos e está se destacando como uma opções de renda fixa com retornos superiores à Selic.

Alta rentabilidade em renda variável

Modalidades em renda variável, como os investimentos em bolsa de valores e mercado futuro, também são alternativas interessantes para superar – e muito, em alguns casos – os valores da taxa Selic.

É claro que esse tipo de investimento traz consigo um certo risco, mas ele também pode proporcionar altas rentabilidades em médio e longo prazo. Então, se você tiver conhecimento e perfil para atuar nesse segmento, certamente é importante considerar os investimentos em renda variável como opções para aplicar seu dinheiro.

Em resumo

Conhecer profundamente o que é Selic e como ela impacta diariamente na economia é fundamental para qualquer investidor, dos iniciantes até os mais experientes. Como vimos ao
longo desse conteúdo, a variação da taxa tem diversos efeitos em algumas categorias de investimento, além do mercado como um todo.

Dúvidas, críticas e sugestões são sempre bem vindas. Deixe seu comentário abaixo, assine nossa newsletter para mais conteúdos como esse e não deixe de interagir nas redes sociais.

Até a próxima!

Assine a newsletter da IOUU e mantenha-se atualizado com as notícias do mercado!

imagem-01-blog

Quem viu esse post também curtiu:

Economia Compartilhada: o que é e como utilizar es...

Muito provavelmente você já ouviu o termo economia...

leitura de 9 min

Newsletters de economia: 7 opções para entender o ...

Uma boa forma de estar atento a tudo que acontece ...

leitura de 13 min

5 Podcasts sobre Economia que você precisa conhece...

Ouvir a podcasts sobre economia está ficando cada ...

leitura de 9 min